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Maternidade sem idealização

Não existe perfeição quando o assunto é criar um ser humano; o que existe é entrega, erro, acerto e muito malabarismo.

Ana VeigaPor Ana Veiga

3 min de leitura

Maternidade sem idealização

Se a gente passar cinco minutos rolando o feed do Instagram, a impressão que dá é que a maternidade é um comercial de margarina contínuo, onde bebês nascem dormindo a noite toda e as mães acordam plenas, maquiadas e com tempo para meditar. Mas a verdade nua e crua, aquela que raramente ganha filtro, é bem diferente. Maternar sem idealização é abraçar o caos e entender que o amor incondicional pelo seu filho convive diariamente com um cansaço avassalador, com a frustração e, muitas vezes, com a saudade da sua antiga liberdade. Não existe perfeição quando o assunto é criar um ser humano; o que existe é entrega, erro, acerto e muito malabarismo emocional.

Romper com essa imagem romantizada é um ato de libertação e de saúde mental. Quando a gente para de buscar o "manual da mãe perfeita" — que, convenhamos, nunca existiu —, abre-se espaço para a empatia com as próprias falhas. Tudo bem achar o puerpério um período solitário e assustador, tudo bem sentir raiva ou querer um tempo longe do próprio filho. Admitir essas sombras não diminui em nada o afeto, apenas nos humaniza. Afinal, a idealização é uma armadilha que gera uma culpa paralisante, enquanto a realidade, com todas as suas imperfeições, nos permite construir conexões muito mais genuínas e pé no chão.

No fim das contas, a maternidade real é bonita justamente por ser viva, mutável e cheia de contrastes. É o choro de exaustão no chuveiro que se transforma em um sorriso bobo ao ver o filho dar os primeiros passos ou aprender uma palavra nova. Desidealizar esse processo nos dá o direito de pedir ajuda sem vergonha e de entender que dar o nosso melhor já é o suficiente, mesmo que o "nosso melhor" hoje seja apenas manter todo mundo alimentado e vivo. Menos cobrança e mais acolhimento: é disso que as mães de verdade precisam para respirar aliviadas.

Vamos conversar sobre isso?

Você pode iniciar seu processo com calma, no seu tempo, em um espaço de escuta e acolhimento.

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